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Arte e ciência cruzam-se em Céu Vermelho de Marina Thomé
Instalação cinematográfica de Marina Thomé na fachada da Fundação Champalimaud cruza arte, ciência e experiência pessoal para refletir sobre o cancro da mama.
2 Jun 2026 | 19h30
A iniciativa cultural da Fundação Champalimaud, Bridges to the Unknown — crossing art with science, apresenta ao público no dia 2 de junho, às 19h30, Céu Vermelho, projeto da artista visual Marina Thomé desenvolvido no âmbito do programa de residências artísticas do Centro Champalimaud.
O projeto resulta de uma colaboração entre Marina Thomé e Ana Luisa Correia, Investigadora Principal do laboratório Dormência do Cancro e Imunidade, no Champalimaud Research, explorando novas formas de pensar o corpo, a doença e a imprevisibilidade.
A apresentação pública inicia-se às 19h30 com uma mesa-redonda que reúne diferentes perspetivas — artística, clínica e científica — sobre o cancro da mama e as suas dimensões biológicas e subjetivas. Participam nesta conversa Marina Thomé, a psicóloga clínica e especialista em psico-oncologia Luzia Travado e Ana Luisa Correia, com moderação de Marcia Mansur, antropóloga e curadora associada do projeto.
A noite culmina com a apresentação de Céu Vermelho, uma instalação site-specific projetada na fachada exterior da Fundação Champalimaud. Na instalação, imagens científicas da investigação sobre o cancro da mama são colocadas em diálogo com registos de atividade sísmica e erupções vulcânicas, criando uma linguagem visual que aproxima processos biológicos e geológicos.
O projeto integra ainda imagens de arquivo e testemunhos da geógrafa centenária Raquel Soeiro de Brito, que participou na missão científica de documentação da erupção do Vulcão dos Capelinhos, nos Açores, entre 1957 e 1958. Nos registos presentes na obra, Raquel Soeiro de Brito reflete sobre o medo e o fascínio provocados pelos vulcões, acrescentando uma dimensão histórica e humana à narrativa visual. Através destas sobreposições e cruzamentos visuais, Céu Vermelho propõe novas leituras sobre as dinâmicas invisíveis do corpo, a imprevisibilidade da doença e as possibilidades de resistência e transformação.
Em Céu Vermelho, o cancro da mama surge como metáfora de um vulcão adormecido: um sistema silencioso e em permanente transformação, que acumula sinais invisíveis antes da erupção. À semelhança dos instrumentos sísmicos que monitorizam os movimentos subterrâneos da Terra, exames médicos como mamografias, ecografias e ressonâncias magnéticas tentam identificar a progressão da doença. Em ambos os casos, permanece uma margem inevitável de incerteza.
O projeto nasce também da experiência pessoal da artista, que, após um diagnóstico de cancro da mama, se desloca aos Açores — território marcado pela instabilidade geológica — desenvolvendo uma investigação visual sobre vulnerabilidade, adaptação e permanência. Este percurso cruza-se com a investigação conduzida por Ana Luisa Correia sobre células metastáticas dormentes do cancro da mama, capazes de migrar para outros órgãos e permanecer inativas durante longos períodos. O trabalho desenvolvido pelo Correia Lab procura compreender os mecanismos e ambientes que favorecem esta dormência, abrindo novas possibilidades para o controlo da metástase, uma das principais causas de mortalidade associada à doença.
Através do programa Bridges to the Unknown, o encontro entre artista e cientista constrói um espaço de reflexão sobre os limites do conhecimento e as formas de lidar com o desconhecido. Neste contexto, a dormência — vulcânica e celular — emerge simultaneamente como sinal de ameaça e possibilidade de contenção, suspensão e cura.
Céu Vermelho integra um processo de investigação artística e cinematográfica mais amplo que dará origem a uma longa-metragem documental com estreia prevista para 2027. O projeto conta já com o apoio de entidades como a Fundação Calouste Gulbenkian e a Sociedade Portuguesa de Autores, sendo que a residência desenvolvida no âmbito do programa Bridges to the Unknown, da Fundação Champalimaud, integrará também este percurso criativo e cinematográfico e contou com apoio da Câmara Municipal de Lisboa.
Programa
Data: 2 de junho
Local: Alameda da Fundação Champalimaud (exterior do edifício principal)
Morada: Av. Brasília, 1400-038 Lisboa
Entrada gratuita mediante inscrição através deste link.
19h30
Mesa-redonda com Marina Thomé (artista visual e autora de Céu Vermelho), Luzia Travado (Psicologia Clínica / Psico-oncologia, Fundação Champalimaud) e Ana Luisa Correia (Investigadora Principal, laboratório Dormência do Cancro e Imunidade, Fundação Champalimaud).
Moderação de Marcia Mansur, antropóloga e curadora associada de Céu Vermelho.
20h30
Projeção Céu Vermelho na fachada exterior da Fundação Champalimaud

