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Literatura

Diga 33 Poesia no Teatro - Acho que perdi uma palavra

Diga 33 – Poesia no Teatro inaugura em junho de 2026 uma nova componente. Em vez de um convidado teremos uma orquestra de vozes, uma dúzia de jovens vozes à procura de palavras adequadas à expressão de modos dissemelhantes de olhar para o mundo. 

16 Jun 2026  |  21h30

Sala Estúdio do Teatro da Rainha
Sala Estúdio do Teatro da Rainha | Rua Vitorino Fróis - junto à Biblioteca Municipal - Largo da Universidade | Edifício 2 | 2504-911 Caldas da Rainha
Propomos a apresentação do resultado de diversos exercícios de escrita com os participantes da Oficina de Iniciação ao Teatro para jovens do Teatro da Rainha. Orientados por Henrique Manuel Bento Fialho, escritor e programador deste ciclo de encontros iniciado em janeiro de 2018, os participantes deste módulo foram respondendo, ao longo de várias sessões, a diferentes desafios de relacionamento com a palavra escrita e dita.

Tendo como ponto de partida o Eu, através da elaboração de um autorretrato, os exercícios levados a cabo tentaram estimular a busca do Outro, o outro eu, o outro outro, o outro mundo, o outro representado. Pode o acto de escrever corresponder a um processo de despersonalização? O que distingue o eu escrevente da personagem concebida? O que é uma personagem? Quanto daquele que escreve há no que é escrito? Quanto do criador existe na criatura? Quanto de nós repousa nas palavras com que nos expressamos? O silêncio fala?

Se a base de trabalho foi o modo como cada qual se define, numa fase posterior tentou-se chegar ao modo como o outro eventualmente nos percepciona, para então lançarmos um olhar subjectivo sobre o mundo circundante e as diferentes formas de o representar. Dos textos produzidos individualmente, chegou-se a um corpo textual colectivo para o qual cada participante contribuiu com a sua singularidade acrescentando, rasurando, manipulando, experimentando a alteridade.

“Acho que perdi uma palavra” advém dos acidentes que estimulam a escrita enquanto meio de compreensão, mais do que de comunicação. Entendido o acto de escrever como gesto inventivo, libertam-se as palavras da função descritiva, promovendo-se a redescoberta da linguagem através do espanto oferecido pela descoberta do potencial inerente às palavras quando deslocadas semântica e sintaticamente.

“Acho que perdi uma palavra” é também um acto de insubordinação, na medida em que através da palavra escrita pôde o Eu libertar-se das convenções que o enclausuram e silenciam. Pôde o Eu dizer-se Outro.

Participaram neste módulo de escrita da Oficina de Iniciação ao Teatro do Teatro da Rainha os escreventes Benedita Sacadura, Cerys Pickles, Constança Ribeiro, Daniela Cruz, Elisabeth Verstraete, Kamilly Rocha, Luana Mendes, Miguel Bettencourt, Nika Yakovenko, Sara Furtado, Violeta Fernandes e Viriato Milhões.
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