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Museu de Almada recorda os 494 almadenses presos pela ditadura através das suas cartas

A exposição "Enquanto eu não sair em liberdade. Cartas de amor e resistência" reúne documentos e objetos de arquivos privados de antigos resistentes e dos seus descendentes.

©  Anabela Luís | Câmara Municipal de Almada

8 Out a 25 Abr 2027

Museu de Almada - Casa da Cidade
Praça João Raimundo, 2805-336 Almada

A exposição parte de uma lista de 494 nomes - os almadenses, nascidos ou residentes no concelho, que foram presos entre 1926 e o dia 25 de Abril de 1974, pela sua ação contra a ditadura, a mais longa da Europa Ocidental.

Eram homens e mulheres de sensibilidades políticas muito diferentes: anarquistas, sindicalistas revolucionários, republicanos, democratas, comunistas, católicos progressistas, socialistas, maoístas e trotskistas.

A exposição foi construída a partir de arquivos privados e sensíveis, hoje na posse de antigos resistentes ou dos seus descendentes. Conta a história da resistência à ditadura através de documentos e objetos que nasceram da experiência da prisão e do exílio.

As cartas trocadas entre a prisão e o exterior ocupam um lugar central. Num regime em que a vigilância e o silenciamento eram instrumentos de poder, serviam de refúgio a quem estava preso e a quem esperava cá fora, e revelam agora quem as escreveu. Os carimbos da censura continuam visíveis nas cartas expostas, mas não apagam o essencial: a garantia e o conforto, para quem estava preso, de que não estava sozinho e que tinha familiares e amigos à espera no exterior.

Há também fotografias e molduras, um vestido de noiva, desenhos para os filhos e livros requisitados na Cooperativa Piedense. Do exílio vêm um cartão de refugiado concedido em Bruxelas, uma carta enviada de Paris e um passaporte com o carimbo de repatriado, que mostram a violência de perder o país e o que se tinha.

A exposição quer contar o que uma lista de 494 nomes, por si só, não revela. Para ela, é o otimismo da vontade, assente na criatividade, na solidariedade e na tenacidade, que mantém o futuro no horizonte, e estes objetos mostram que, mesmo na prisão ou no exílio, foi possível continuar a resistir.

A exposição tem um programa paralelo. Há visitas orientadas a 31 de outubro e a 28 de novembro, sempre às 15h00. A 12 de dezembro, também às 15h00, há a oficina para famílias “Vozes embrulhadas”, dirigida a famílias com crianças com mais de 5 anos. A pergunta de partida é: “Como se escreve uma carta sem palavras?” e o resultado será um mural de mensagens.

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