Adesão à Europa e Política Europeia
Na Política Europeia não há Lugar para Hegemonias!, por Patrícia Daehnhardt
A lógica fundacional do projeto europeu foi a rejeição de hegemonias políticas. A política europeia para alcançar legitimidade deve continuar a evitar a formação de tentativas hegemónicas e desenvolver uma política modulada, estruturada e multidimensional. Logo, isto implica aceitar a multiplicidade de camadas identitárias que se referem, simultaneamente, a valores europeus, nacionais e regionais. No plano internacional, esta política de vários módulos também ganha contornos mais visíveis: como ator internacional a UE terá de consolidar-se contra projetos hegemónicos dos seus Estados membros. Dois casos são utilizados para ilustrar esta tese: o do Iraque e o do Irão. Daqui se argui que, em termos políticos, argumentar contra hegemonias internas não equivale a argumentar contra iniciativas intergovernamentais. Com efeito, articular níveis, o comunitário e o intergovernamental de forma interdependente, e manter ao mesmo tempo a legitimidade de ambas as abordagens poderá ser a forma mais pragmática de projetar gradualmente os valores, objetivos e políticas da União para o palco internacional.

