Ordem Internacional e Multilateralismo

A UE e o Mercosul, por Alexandra Barahona de Brito

Se a UE desenvolver a capacidade de atuar na esfera da defesa e segurança internacional, pode vir a desempenhar um papel significativo na construção de uma ordem multilateral pós-hegemónica internacional. A criação de uma federação de estados democráticos baseada na dupla legitimidade de estados e cidadãos torna compatível um sentimento de pertença nacional e de inscrição numa comunidade supranacional. Ao mesmo tempo, e em apenas uma década, o Mercosul afirmou-se como ator internacional credível, sendo visto como um exemplo de integração Sul-Sul, apesar de a coordenação e harmonização fiscal e macroeconómica terem vindo a ser frustradas pelas imensas assimetrias entre as economias dos membros. Tal como na UE, o défice democrático afeta a capacidade do Mercosul lançar um projeto multilateral internacional baseado nos valores da democracia e da soberania partilhada. Por outro lado, se o Mercosul conseguir definir uma identidade estratégica e a capacidade de cooperação na promoção da paz e da estabilidade na sua periferia, poderá aumentar a sua probabilidade de sobrevivência.

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Data
2001-01-01
OBS
BRITO, Alexandra Barahona de – A UE e o Mercosul. O Novo Multilateralismo: Perspectiva da União Europeia e do Mercosul. Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais: Lisboa (2001), pp. 43-52. págs.
Dimensão do suporte
10 págs.
Idioma
Português