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José Tolentino Mendonça vence Prémio Europeu Helena Vaz da Silva 2020

Dom José Tolentino Mendonça, uma das vozes mais originais da literatura contemporânea portuguesa e Bibliotecário e Arquivista da Biblioteca e Arquivo Apostólicos da Santa Sé, é o vencedor do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural deste ano.

Fotografia © ANTÓNIO0196 / CC BY-SA (CreativeCommons)


Este reconhecimento presta homenagem à contribuição excecional de Tolentino Mendonça para a divulgação da cultura e dos valores europeus.

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património representada em Portugal pelo CNC, e com o Clube Português de Imprensa.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no Outono, em data a anunciar, na Fundação Calouste Gulbenkian.

Reagindo à notícia, o Cardeal Tolentino Mendonça afirmou:

«Não podemos esquecer que a cidadania europeia é também uma cidadania cultural. Esta liga-se ao tesouro da memória, à pluralidade das tradições e raízes que, através das gerações, alicerçaram uma identidade e um quadro de valores onde nos reconhecemos. E desafia-nos a não fechar o património cultural no passado. O património cultural é um motor indiscutível do presente e só com ele podemos pensar que há futuro. Por essa razão, sinto-me muito honrado por esta atribuição, que ainda mais me responsabiliza. Certamente esta distinção será vivida com alegria pela Biblioteca e o Arquivo Apostólicos do Vaticano, onde trabalho, e que constituem um extraordinário exemplo do património cultural que a Europa construiu e constrói.

O facto de este prémio ter o nome de uma grande portuguesa e europeia, Helena Vaz da Silva, constitui para mim como que um suplemento de alegria e de responsabilidade, pois o seu legado representa uma preciosa inspiração para todos nós.»

O júri do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva declarou:

«Ficámos impressionados com a capacidade que Tolentino Mendonça demonstra ao divulgar a Beleza e a Poesia como parte do património cultural intangível da Europa e do mundo. Queremos homenagear a sua arte de comunicar não apenas através da sua notável poesia, mas também dos seus artigos de opinião publicados na imprensa portuguesa e italiana. Também destacamos a sua forte convicção de que a Igreja não é apenas uma guardiã de seu longo passado, mas que deve estabelecer um diálogo aberto e construir pontes com o mundo da cultura, da arte e do pensamento contemporâneos. Hoje, quando a Europa e o mundo se confrontam com uma crise sem precedentes, precisamos de ouvir as vozes desafiadoras dos principais intelectuais e artistas europeus, como Tolentino Mendonça. Eles devem orientar e inspirar os nossos esforços coletivos para construir uma sociedade mais justa e mais inclusiva, para a Europa e para todo o planeta.».

Júri do Prémio, presidido por Maria Calado, Presidente do Centro Nacional de Cultura, é composto por especialistas independentes nos campos da Cultura, do Património e da Comunicação de vários países europeus: Francisco Pinto Balsemão, Presidente do Conselho de Administração do Grupo Impresa (Portugal),  Guilherme d’Oliveira Martins, Fundação Calouste Gulbenkian (Portugal), Irina Suboti?, Vice-Presidente da Europa Nostra (Servia), João David Nunes, Membro da Direção do Clube Português de Imprensa (Portugal), Marianne Roald Ytterdal, Membro do Júri dos Prémios Europa Nostra, categoria Serviço Dedicado (Noruega) e Piet Jaspaert, Vice-Presidente da Europa Nostra (Bélgica).

 

Nascido em 1965 na ilha da Madeira, Tolentino Mendonça, poeta, teólogo, sacerdote e professor universitário, é considerado uma das vozes mais originais da literatura portuguesa contemporânea e reconhecido como um eminente intelectual católico.

A sua vasta obra inclui poesia, ensaios e peças de teatro e tem também colaborado como tradutor e organizador em muitos outros livros. Destacam-se também as suas publicações e intervenções frequentes nos meios de comunicação social (escreve regularmente no jornal português Expresso). Os seus livros têm sido distinguidos com vários prémios e são cada vez mais traduzidos e publicados no estrangeiro.

Enquanto sacerdote, exerceu as suas funções pastorais na Paróquia de Nossa Senhora do Livramento no Funchal entre 1992 e 1995, depois em Lisboa foi capelão durante 5 anos na Universidade Católica Portuguesa, esteve na paróquia de Santa Isabel e, entre 2010 e 2018, foi reitor da Capela do Rato.

Entre 2004 e 2014, Tolentino Mendonça foi o primeiro diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, então criado pela Conferência Episcopal Portuguesa para promover o diálogo entre a Igreja e o meio cultural nacional.

A 26 de junho de 2018, Tolentino Mendonça foi nomeado Bibliotecário e Arquivista da Biblioteca e Arquivo Apostólicos da Santa Sé pelo Papa Francisco. Após ter sido ordenado Cardeal, a 5 de outubro de 2019, voltou a integrar o Conselho Pontifício da Cultura, de que tinha sido Consultor até à sua nomeação como Arquivista e Bibliotecário da Santa Sé.

Na sua carreira académica, foi professor no Seminário do Funchal, reitor do Colégio Pontifício Português em Roma, docente na Universidade Católica Portuguesa e professor convidado no Brasil, pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE) em Belo Horizonte. Em Lisboa, integrou a Universidade Católica Portuguesa na qualidade de assistente (1996-1999), professor auxiliar (2005-2015) e professor associado. Em 2012, a Universidade Católica Portuguesa nomeia-o Vice-Reitor e, em 2018, Diretor da Faculdade de Teologia. Foi Straus Fellow na Universidade de Nova Iorque durante um ano, fazendo parte de uma equipa de investigadores convidados, empenhados no estudo do tema “Religião e Espaço Público”.

A Biblioteca do Vaticano foi fundada em 1451 pelo papa Nicolau V. Possui uma coleção única de tesouros históricos com quase 2.000 anos, incluindo cartas de assinaláveis figuras históricas, desenhos e notas de artistas e cientistas como Miguel Ângelo e Galileu, escritos de todas as épocas e de todas as áreas do conhecimento, de todas as partes do mundo. A Biblioteca do Vaticano preserva mais de 180.000 manuscritos (incluindo 80.000 unidades de arquivo), 1,6 milhões de livros impressos, mais de 300.000 moedas e medalhas, 150.000 desenhos e gravuras e mais de 150.000 fotografias. Em 2010, a Biblioteca do Vaticano iniciou um projeto de digitalização de sua coleção de manuscritos (cerca de 80.000 códices), principalmente da Idade Média e do período humanista, que é parcialmente disponibilizado online.

 

Sobre o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva

Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural recorda a jornalista portuguesa, escritora, ativista cultural e política (1939- 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. É atribuído anualmente a um cidadão europeu cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O Prémio conta com os apoios do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

O escritor italiano Claudio Magris foi o primeiro laureado do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva em 2013; o escritor turco e Prémio Nobel da Literatura Orhan Pamuk foi distinguido em 2014; o músico catalão Jordi Savall foi premiado em 2015; o cartoonista francês Jean Plantureux, conhecido como Plantu, e o ensaísta português Eduardo Lourenço venceram, ex aequoI, a edição de 2016 do Prémio; em 2017, o cineasta Wim Wenders foi o vencedor;  em 2018 a vencedora foi a historiadora inglesa Bettany Hughes e, em 2019, a física de partículas italiana Fabiola Gianotti.

 
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