"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

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Poderemos, de novo, amar estas vitrinas

Um dos livros mais marcantes e queridos na obra de António Franco Alexandre, Os Objectos Principais assinalam o início de uma poesia nova e renovadora no panorama da literatura portuguesa.

Publicado originalmente em 1979 pela editora conimbricense Centelha (que nos legou um número de novas e consolidadas vozes), o livro apontado como charneira para o arranque do pós-modernismo nas nossas letras, Os Objectos Principais de António Franco Alexandre, foi reeditado pela Assírio & Alvim, chancela da Porto Editora, a 26 de junho de 2025.

Filósofo e matemático de formação, António Franco Alexandre contribuiu para uma nova linguagem poética nacional nos anos 1970 e é um dos nomes incontornáveis da poesia portuguesa. Alguns dos poemas de Os Objectos Principais foram publicados pela primeira vez no Cartuxo - obra artesanal com vários poemas amarrotados -, em 1976.

Esta reedição conta ainda com um posfácio de Joana Matos Frias, uma das suas principais leitoras críticas, oferecendo-nos uma leitura atualizada e aprofundada do impacto desta obra, cujos primeiros versos ainda nos fascinam:

poderemos, um dia, amar estas vitrinas
como quem ama uma ideia imperdoável, ou uma
breve hesitação dos condutores
    a meio do percurso? quero dizer,
estaremos vivos para o desbotar destas
folhas de plástico que brilham
uma vez cada noite; e para
o assobio das nuvens
ao passar sobre a roupa?
ou, fechando a gaveta, engoliremos o receio
destes bolos roubados
    na prateleira de água?
ou será este o dilema que nos propõem
as minuciosas escavações telefónicas?
são questões ignorantes, delas depende o rumo
dos grandes navios japoneses à entrada da doca.

SOBRE O LIVRO
Título: 
Os Objectos Principais
Autora: António Franco Alexandre
Posfácio: Joana Matos Frias
N.º de Páginas: 64
PVP: 14,40€
Coleção: documenta poética

Ver primeiras páginas  

SOBRE O AUTOR
António Franco Alexandre

Nasceu a 17 de junho de 1944, em Viseu. Fez os seus estudos académicos nas áreas de Matemática e Filosofia em França (primeiro, em Toulouse, depois em Paris) e nos EUA (Harvard). Após o seu regresso a Portugal, em 1975, é convidado para professor de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde lecionou até meados de 2009. Embora se tenha estreado como poeta ainda na década de sessenta, é sobretudo a partir da publicação de Sem Palavras nem Coisas (1974) que a sua obra se afirmou. Uma voz incontornável no nosso panorama literário, são suas algumas das obras mais significativas da poesia portuguesa contemporânea: Os Objectos Principais (1979), A Pequena Face (1983 – Grande Prémio de Poesia do PEN Clube Português), Quatro Caprichos (1999 – Prémio Luís Miguel Nava, Grande Prémio APE de Poesia), Duende (2002 – Prémio D. Dinis e Prémio Correntes d'Escritas), Aracne (2004) e Poemas (1996/2021 – Grande Prémio de Poesia Diogo Bernardes APE/ Câmara Municipal de Ponte da Barca). 

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