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Exposições de Inês Zenha e FM Einheit vão cruzar identidade e sonho no CAM
Os artistas Inês Zenha e FM Einheit vão inaugurar a programação do Centro de Arte Moderna (CAM) da Gulbenkian, em Lisboa, a partir de setembro, com exposições que cruzam identidade, música, sonho e experiência sensorial.
O Espaço Projeto do CAM receberá, a partir de 19 de setembro, a mostra "Inês Zenha. Águas Turvas", primeira apresentação individual da artista neste centro, que permanecerá patente até 8 de fevereiro de 2027, com entrada gratuita.
Em "Águas Turvas", Inês Zenha, artista nascida em Lisboa em 1995, constrói uma paisagem fluida e imersiva onde identidade, desejo e corporeidade se cruzam num processo contínuo de transformação.
Zenha parte de um vocabulário simultaneamente poético e político para desenvolver uma investigação sobre sistemas, do corpo às infraestruturas humanas, tendo a água, os fluidos corporais e a argila como elementos centrais, descreve o texto da curadoria.
A ideia de "tornar-se líquido" constitui o eixo conceptual e formal da exposição, numa abordagem que relaciona a fluidez dos líquidos com experiências marcadas pela negociação, transição e resiliência.
O espaço expositivo transforma-se numa espécie de gruta pós-humana, simultaneamente templo e esgoto, onde tubagens e sistemas hidráulicos se cruzam com gestos performativos, criando um ambiente que procura envolver o visitante numa experiência de fluxos, acrescenta.
A água deixa, assim, de funcionar apenas como metáfora para assumir um papel central nas obras, atravessando e ligando diferentes elementos da exposição e convocando uma experiência física e sensorial do espaço do lado dos visitantes.
A exposição rejeita ainda uma ideia de pureza e ordem, propondo um lugar de porosidade, hibridez e transformação, onde figuras associadas ao monstruoso, ao animal, ao estrangeiro, ao obscuro e ao ´queer´ são retiradas de uma posição de apagamento, assinala ainda.
Em vez de procurar respostas, "Águas Turvas" propõe uma experiência de perceção e transformação, explorando temas como vulnerabilidade, sobrevivência e identidade através da relação entre matéria, corpo e ambiente.
Na mesma data, com curadoria de Mathieu Copeland, é inaugurada "Exposição de um Sonho", reunindo, no Espaço Engawa, dezasseis sonhos transformados em canções, a partir de textos e fragmentos de memórias de artistas, cineastas, dramaturgos, poetas e escritores portugueses e estrangeiros.
O músico, compositor e performer alemão FM Einheit foi convidado a compor as 16 obras, inspiradas em sonhos de Gabriel Abrantes, Robert Barry, Genesis Breyer P-Orridge, Alexandre Estrela e Tim Etchells.
Os sonhos de Susie Green, Karl Holmqvist, David Link, Pierre Paulin, Emilie Pitoiset, Lee Ranaldo, Susan Stenger e Apichatpong Weerasethakul também estão representados nestas obras de Einheit.
Apresentadas sucessivamente e traduzidas no espaço através de 16 mandalas, cada canção é associada a uma composição, criando uma sequência de experiências escultóricas sensoriais e de imagens mentais abstratas, aponta a descrição do projeto.
A exposição propõe uma relação entre som, imaginação e espaço, questionando a possibilidade de criar uma imagem mental a partir dos sonhos de outras pessoas e abrindo o campo a diferentes interpretações.
As mandalas funcionam como estruturas de projeção e como representação de uma experiência simultaneamente efémera, mental e imaterial, num percurso em que aquilo que é para ver deve ser lido e aquilo que é para ouvir deve ser imaginado, segundo o texto da curadoria.
"Exposição de um Sonho" estará patente no Espaço Engawa do CAM, até 22 de fevereiro de 2027.
Ainda no CAM, a Sala de Som apresenta, de 19 de setembro a 16 de novembro, uma obra da artista Sara Sadik da coleção do centro, integrada na programação expositiva do espaço.
Artista visual e multimédia francesa, nascida em Bordéus em 1994, Sara Sadik vive e trabalha em Marselha, e o seu trabalho tem vindo a afirmar-se internacionalmente por explorar a identidade, a masculinidade e as vivências da diáspora norte-africana em França, recorrendo a formatos inovadores como videojogos, instalações imersivas e vídeos digitais.
As novas exposições juntam-se à programação já patente no CAM, que inclui projetos dedicados à coleção e a diferentes formas de criação contemporânea.
Fonte: LUSA | 12 de agosto de 2026

