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Onde a Voz Ganhou Lugar: Zeca Afonso e “Grândola, Vila Morena”, Senha da Liberdade

Na passagem por Grândola, o Festival Terras sem Sombra propõe revisitar a relação entre território, comunidade e criação musical enquanto documento cultural inscrito num território, numa ampla abordagem à presença de José Afonso no concelho.

2 Mai 2026  |  15h00

Ponto de encontro: Memorial ao 25 de Abril (Praça da Liberdade)
Grândola
Preço
Entrada livre
Orientada pela historiadora Ana Paula Amendoeira, a atividade de património centra-se na obra que viria a marcar a história cultural e política portuguesa e que teve a sua génese em Grândola. Antes de se tornar a voz da Revolução de Abril e ganhar, assim, dimensão universal, «Grândola, Vila Morena», de Zeca Afonso, nasceu num quadro intimista, fruto da passagem do cantautor pela localidade alentejana, em maio de 1964. Grândola era então marcada por uma economia rural assente em grandes propriedades. O trabalho agrícola, exigente, era acompanhado por formas de canto coletivo que reforçavam os laços comunitários. Do contato com esta prática musical partilhada ficou uma impressão perene no autor. «Grândola, Vila Morena» traduz as vivências sonoras e sociais aí observadas de perto, fixando, em forma musical, uma experiência coletiva.

Em 1964, o músico José Afonso – nascido em Aveiro, em 1929 – atuou na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, popularmente conhecida como “Música Velha”, onde conheceu, em primeira mão, as práticas de canto coletivo profundamente enraizadas na comunidade local. Esse encontro revelou-lhe uma forma de expressão marcada pela participação horizontal, pela alternância de vozes e pela ausência de protagonismo individual, características estruturantes do Cante alentejano. Uma experiência direta de escuta e partilha, que viria a influenciar decisivamente a construção musical da sua famosíssima canção.

Gravada no início da década de 1970, «Grândola, Vila Morena» viria a adquirir um significado acrescido no contexto da Revolução dos Cravos, tornando-se um dos seus símbolos mais reconhecidos. Ainda assim, a sua origem permanece ancorada naquele encontro inicial, entre um autor e uma comunidade, num momento preciso da história cultural portuguesa. A relação de José Afonso com Grândola prolongou-se para além desse momento inicial.

Os fonogramas com a “Senha da Liberdade” da Revolução do 25 de Abril, de valor histórico absoluto, foram recentemente classificados, pelo Ministério da Cultura, como Tesouro Nacional.
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