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Onde a Voz Ganhou Lugar: Zeca Afonso e “Grândola, Vila Morena”, Senha da Liberdade
Na passagem por Grândola, o Festival Terras sem Sombra propõe revisitar a relação entre território, comunidade e criação musical enquanto documento cultural inscrito num território, numa ampla abordagem à presença de José Afonso no concelho.
2 Mai 2026 | 15h00
Em 1964, o músico José Afonso – nascido em Aveiro, em 1929 – atuou na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, popularmente conhecida como “Música Velha”, onde conheceu, em primeira mão, as práticas de canto coletivo profundamente enraizadas na comunidade local. Esse encontro revelou-lhe uma forma de expressão marcada pela participação horizontal, pela alternância de vozes e pela ausência de protagonismo individual, características estruturantes do Cante alentejano. Uma experiência direta de escuta e partilha, que viria a influenciar decisivamente a construção musical da sua famosíssima canção.
Gravada no início da década de 1970, «Grândola, Vila Morena» viria a adquirir um significado acrescido no contexto da Revolução dos Cravos, tornando-se um dos seus símbolos mais reconhecidos. Ainda assim, a sua origem permanece ancorada naquele encontro inicial, entre um autor e uma comunidade, num momento preciso da história cultural portuguesa. A relação de José Afonso com Grândola prolongou-se para além desse momento inicial.
Os fonogramas com a “Senha da Liberdade” da Revolução do 25 de Abril, de valor histórico absoluto, foram recentemente classificados, pelo Ministério da Cultura, como Tesouro Nacional.

