"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Literatura

"Não Esperem que me Cale e Obedeça"

Revisitação da poesia de Maria Teresa Horta.

19 Jun 2026  |  21h30

Ermida de Santo António
Avenida dos Pescadores 78, Montijo
Preço
Entrada livre

uma criação PICA, Tributo a Maria Teresa Horta

“Não esperem que me cale e obedeça” é uma revisitação da poesia de Maria Teresa Horta (1937-2025), feita de transgressão, de desobediência e de liberdade, três pilares consubstanciados na sua escrita e que nortearam a sua vida de mulher e de escritora. Uma revisitação que importa, uma voz poética que desvela e revela, um marco incontornável no contexto literário nacional e internacional.

A sua intervenção política, social, cívica e literária fizeram dela uma das vozes mais corajosas e influentes da cultura portuguesa da segunda metade do século XX e uma das cem mulheres mais inspiradoras e influentes do mundo, com destaque recente na lista “BBC 100 Women”.

Em 1972, em coautoria com Maria Velho da Costa e Maria Isabel Barreno, publicou as Novas Cartas Portuguesas, obra escrita pelas três, feita de textos individuais, não assinados, e cuja autoria nunca viria a ser tornada pública.

Denunciavam, então, a condição feminina em Portugal, a guerra colonial, a pobreza, a repressão e a violência, os códigos morais da ditadura, desafiando a censura, as convenções sociais vigentes, o status quo. O caso, com grande repercussão nacional e internacional, ficaria conhecido como o processo de “As três Marias”, alvos de perseguição, espancamento e censura. O caso sensibilizou e mobilizou a opinião pública internacional, com manifestações de solidariedade além fronteiras. O poder tremia. O livro foi apreendido e destruído pela PIDE. Os tiranos têm (sempre tiveram) medo dos livros.

As Novas Cartas Portuguesas são uma obra de referência que merece ser lida, revisitada, tal como toda a vasta obra (poesia, romance, conto, crónica…) de Maria Teresa Horta, a Desobediente. Que o medo não nos paralise. NUNCA.

Lembrando “As Três Marias”, que cada um saiba encontrar resposta para as perguntas que aqui ficam:

“Minhas irmãs:
Mas o que pode a literatura? Ou antes: o que podem as palavras?” 
in Novas Cartas Portuguesas

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