"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Teatro

A Árvore que Sangra

Esta é uma peça sobre violência doméstica, abuso sexual, machismo extremo, mas também sobre os silêncios de uma comunidade condescendente com a crueldade próxima.

13 Mar a 27 Mar 2026

Pequeno Auditório do Centro Cultural e de Congressos de Caldas da Rainha
R. Dr. Leonel Sotto Mayor 23D, 2500-227 Caldas da Rainha
«- Com um buraco de bala no pescoço essa tua cabeça de burro nunca teve tão bom ar.»
Assim começa “A Árvore que Sangra”, peça do dramaturgo australiano Angus Cerini, estreada em 2015 com fortes elogios do público e da crítica, granjeando então três importantes e prestigiados Prémios Helpmann na Austrália, para Melhor Peça, Melhor Encenação e Melhor Actriz, a que se somou, posteriormente, o Prémio Literário do Primeiro-Ministro de Nova Gales do Sul em 2016.

Pela primeira vez nos palcos portugueses, “A Árvore que Sangra” é uma coprodução do Teatro da Rainha com o Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, numa encenação de Fernando Mora Ramos que estará disponível, entre 13 e 27 de março, no Pequeno Auditório do CCC.

Numa quinta a alguma distância de uma cidade rural no árido interior australiano, um tiro ressoa na noite silenciosa. Três mulheres, uma mãe e duas filhas, levadas pelo desejo de vingança contra os maus-tratos e abusos de que foram vítimas anos a fio, acabam de matar o pai de família. O que fazer ao cadáver?

A escrita de Cerini, pautada por diferentes camadas de humor negro, desloca-nos para espaços nada naturalistas, tendo, todavia, a capacidade de narrar uma história que impele a uma reflexão sobre a sociedade em que vivemos. Com um ambiente próximo das murder ballads, muito populares no universo anglo-saxónico, as réplicas das três mulheres em cena vão evocando diversas personagens – o pai, vizinhos, família distante – atravessando tempos e projectando um futuro que corresponda a uma ideia de regeneração libertadora.

Diz Fernando Mora Ramos: «Neste processo estará o ciclo da vida, tudo regressa à terra e sendo cinza, estrume, tudo pode ser alimento de nova vida, de beleza. O roseiral é o recomeço radical de nova vida. Creio que será isso o mais importante a reter.»

“A Árvore que Sangra” tem tradução e dramaturgia de Isabel Lopes. A cenografia de Fernando Mora Ramos completa-se com uma pintura de pano terra pelo artista plástico Bartolomeu Gusmão. Banda sonora e desenho de som de Francisco Leal, desenho de luz de Hâmbar de Sousa, interpretação de Isabel Lopes, Mafalda Taveira e Marta Taveira. Estreia dia 13 de Março, no Pequeno Auditório do CCC, e estará em cena até 27 do mesmo mês em horários alternativos: dias 13 a 14, 19 a 21, 26 e 27, às 21h30; dias 15 e 22, às 16h00; dias 18 e 25 de março, às 19h00.

Mais informações em teatrodarainha.pt | ccc.com.pt
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