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Uma Peça | Um Museu

Saleiro de Marfim do Benim

Este saleiro do Benim (incompleto, pois falta-lhe a parte inferior) integra o grupo dos cerca de quinze saleiros da mesma produção atualmente conhecidos no mundo. Uma peça do Museu Nacional de Arte Antiga.


Saleiro
Marfim
África, Benim
Século XVI, 1º quartel
Aquisição, 1951
Inv. 750 Esc

Totalmente lavrada em marfim, foi esculpido na tampa um cavaleiro de elmo e cota de armas montado num cavalo ricamente ajaezado, destacando-se sobre um fundo densamente preenchido. Na secção central, figuram outros cavaleiros e altos funcionários com indumentária e acessórios idênticos aos usados na época pelos portugueses.

Se o modelo formal deste exemplar segue um protótipo europeu, é ao nível da indumentária que encontramos a marca da tradição artesanal africana. Tanto na indumentária das figuras, como no fundo da composição, são reproduzidos padrões têxteis que ainda hoje são ritualmente fabricados nos teares da atual Nigéria.

Nos séculos XV e XVI, inúmeras peças manufaturadas em marfim chegaram a Lisboa, primeiro da Serra Leoa e depois do Benim. Se a arte de trabalhar o marfim na Serra Leoa, a primeira região da África negra visitada pelos marinheiros lusos, representa esporadicamente imagens de portugueses, já os objetos provenientes do reino do Benim, na atual Nigéria, confere àqueles algum protagonismo, isolando as figuras e trabalhando-as em relevo com grande pormenor nos traços fisionómicos, ou seja, registando a diferença do outro, especialmente os cabelos compridos, as barbas de cortes diversos e os narizes afilados.
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