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Diário, crónicas e inéditos de Natália Correia evocam tempos conturbados do PREC

Livro "Não Percas a Rosa/Ó Liberdade, Brancura do Relâmpago" lançado a 24 de Novembro, pelas 21h30, num serão de tertúlia no Botequim, com apresentação de Ângela Almeida, Daniel Oliveira, Fernando Dacosta e Pedro Marques Lopes.

24 Nov 2015  |  21h30

Botequim
Largo Graça 79, 1170-195 Lisboa
A 25 de Abril de 1974, nas «horas entusiásticas» de uma alvorada revolucionária aspergida a cravos, Natália Correia iniciou um diário, propondo-se «viver a festa e simultaneamente relatá-la.»  

Não Percas a Rosa é esse registo testemunhal das glórias e misérias que convulsionaram o país até 25 de Novembro de 1975, mas também a exaltação visionária de uma Revolução ainda por fazer: a do Espírito, simbolizado na mística rosa branca.  

Ilustrada com fotografias de época, captadas por José António Correia, e reproduções dos manuscritos originais, esta edição da Ponto de Fuga inclui vários textos inéditos e reúne, pela primeira vez, sob o título Ó Liberdade, Brancura do Relâmpago, as célebres crónicas que Natália escreveu para A Capital entre Julho de 1974 e Julho de 1975 (Crónicas Vagantes), bem como as que, após um cobarde acto de censura, publicou em A Luta entre Agosto de 1975 e Março de 1976. 

A apresentação pública do livro terá lugar no dia 24 de Novembro, pelas 21h30, no Botequim, o bar fundado pela escritora no bairro da Graça, em Lisboa. No momento em que se assinalam os 40 anos do 25 de Novembro de 1975, Ângela Almeida, Daniel Oliveira, Fernando Dacosta e Pedro Marques Lopes evocam o génio e a rebeldia de Natália Correia, num serão de tertúlia dedicado à política, à literatura e à liberdade.  

SOBRE NATÁLIA CORREIA (Açores, 1923 - Lisboa, 1993)
Poetisa, ficcionista, contista, dramaturga, ensaísta, editora, jornalista, cooperativista, deputada à Assembleia da República (primeiro pelo PSD, depois como independente pelo PRD), foi uma das vozes mais proeminentes da literatura e da cultura portuguesas na segunda metade do século XX, tendo resistido estoicamente ao Estado Novo e à deriva radical do pós-25 de Abril. Ecuménica e eclética, filantropa e idealista, anteviu um novo tempo, que garantisse a dignidade humana, a justiça social, a diferença e a paz como raízes indeléveis da democracia. 

SOBRE A PONTO DE FUGA
Editora independente que tem por objetivo publicar obras e autores de qualidade nos diferentes géneros – ficção, não ficção, poesia e infantojuvenil –, assumindo também a missão de reeditar títulos que, tendo desaparecido das livrarias, mereçam regressar ao convívio com os leitores. É o caso da coleção Petzi, um clássico da banda-desenhada infantil, que marcou a estreia da editora.  

SOBRE O BOTEQUIM
Bar fundado por Natália Correia, Isabel Meyrelles, Júlia Maranha e Helena Roseta, em 1971. Durante as décadas de 70 e 80, foi o ponto de encontro de grande parte da intelectualidade portuguesa, de Fernando Dacosta a David Mourão-Ferreira, António Alçada Baptista, José-Augusto França, Luiz Pacheco, Ary dos Santos e José Cardoso Pires. Encerrado após a morte de Natália Correia, reabriu em 2010.

FORMATO: 16 x 23,5 cm
PÁGINAS: 704 (416+284)
TEMA: LITERATURA / MEMÓRIAS
PVP: 27,75 EUROS    

«O alvoroço redobra-me a ansiedade. A iminência de ver florir por fora a Primavera que sempre trouxe dentro do meu amor à liberdade morde-me o coração como uma alegria insuportável. Joguei sempre no impossível. E agora? Só os medíocres sabem o que fazer com a vitória. Pois haverá duas. A vitória que dará aos medíocres a oportunidade de estragarem o impossível, na frustrada demonstração de que é possível a felicidade dos povos. É este, de resto, o destino das revoluções. Quanto à minha vitória, ela oferece-me o ensejo de, no impossível possibilitado, desmascarar esta pretensão dos medíocres, com os olhos postos em impossíveis a haver. Por outras palavras: não me imagino a frequentar as aulas de qualquer revolução vitoriosa.»   

NATÁLIA CORREIA, 25 de Abril de 1974, 6 horas de manhã 

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