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Colóquios, Conferências e Debates

À Conversa com… Cláudia Emanuel

O Museu de Cerâmica de Sacavém vai receber a investigadora Cláudia Emanuel, com o intuito de melhor compreender o legado de Jorge Rei Colaço.

22 Out 2016  |  15h00

Museu de Cerâmica de Sacavém
Urbanização Real Forte - 2685 Sacavém
Preço
Entrada livre

 

O estudo da obra azulejar que tem sido feito pela investigadora, o qual abrange apenas Portugal, Açores e Madeira, permitiu inventariar cerca de mil painéis, em 116 locais diferentes. O percurso, as várias técnicas utilizadas por Jorge Rei Colaço e a inspiração que animou a sua obra serão motivo para a conversa com a investigadora. 

 

Jorge Colaço nasceu em Tânger (Marrocos), em 1868, e faleceu em 1942, em Caxias (Portugal). Fez os estudos artísticos em Madrid e em Paris. Em 1903, já em Lisboa, trava conhecimento com a família Gilman, proprietária da Fábrica de Louça de Sacavém, e começa a experimentar um novo suporte para as suas pinturas, o azulejo. Em data incerta, Colaço vai trabalhar para a Fábrica de Louça de Sacavém e aí permanece até 1924. A partir desta data vai trabalhar para a Fábrica Lusitânia, em Lisboa, num ateliê independente da fábrica, tal como tinha acontecido em Sacavém, e aí permanece até 1942. O estudo da obra azulejar que tem sido feito por Claúdia Emanuel Franco dos Santos, o qual abrange apenas Portugal, Açores e Madeira, permitiu inventariar cerca de 1000 painéis, em 116 locais diferentes. Colaço pintava azulejo segundo a técnica tradicional, isto é sobre vidrado cru. Pintava também com a técnica da estampilha, da estamparia, da corda seca e terá ainda utilizado a técnica da serigrafia cerâmica, a quem se atribui, sem certeza, ser pioneiro. Pintou sobre chacota texturada, utilizou prateados, dourados, mas principalmente inovou (Colaço pintou painéis sobre vidrado já cozido). Num artigo que ele próprio escreve, em 1933, refere ter como base essencial do seu trabalho um lema: Portugal. Pelas razões que o próprio invoca, a temática da portugalidade é diversificada, desde cenas históricas, a cenas de carácter militar, cenas etnográficas (rurais e piscatórias), cenas religiosas, episódios da literatura de Camões e de outros autores, num manancial de temáticas a que uma imaginação criativa não ficou alheia. Até ao ano de 1930, a expansão da rede ferroviária originou uma enorme renovação das antigas estações ferroviárias, e Colaço foi o primeiro dos escolhidos para esta empreitada, o que nos permite contemplar a bela Estação de S. Bento, no Porto, com azulejos produzidos na Fábrica de Louça de Sacavém. 

 

Cláudia Emanuel Franco dos Santos

Licenciada em pintura (2001) e em cerâmica (2008), pela Escola Universitária das Artes de Coimbra. Tem, ainda, uma pós-graduação em património artístico e conservação, pela Universidade Portucalense do Porto (2004). É mestre em património artístico e conservação, pela Universidade Portucalense do Porto (2007), com uma dissertação subordinada ao tema “Artes decorativas nas fachadas da arquitetura bairradina. Azulejos e fingidos (1850-1950)”. Com este estudo, foi distinguida na modalidade de “Investigação – História da Arte” no “Prémio SOS Azulejo 2011”. O trabalho foi editado no início de 2016 (pela Câmara Municipal da Mealhada) e contém o respetivo estudo e as fichas de inventário dos oito concelhos inventariados. Estão ainda incluídos os catálogos de fábricas que permitiram a identificação dos azulejos. Frequenta, atualmente, o doutoramento na Universidade Católica do Porto, em estudos de património, com uma tese subordinada ao tema “Jorge Rey Colaço: Biografia, inventário azulejar e problemas de conservação (1868-1942)”. A tese, para além da biografia e inventariação da obra azulejar de Jorge Colaço em Portugal, Açores e Madeira, apresenta os estudos prévios que efetuou. Pretende ainda dar a conhecer as diversas técnicas que o pintor utilizou na sua obra. Foi docente do ensino secundário, entre 1999 e 2011, na área das artes (história da arte, artes visuais, oficina de artes). É, desde 2013, conservadora de património da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada.

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