"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Teatro

A Grande Guerra – Estudos, debates, espetáculo

Realizou-se recentemente em Lisboa um ciclo de conferências e debates intitulado “A Grande Guerra (1914-1918): Memória e Consequência”, iniciativa e organização de entidades muito marcantes da vida cultural portuguesa: Academia Nacional de Belas-Artes, Academia de Marinha, Sociedade de Geografia de Lisboa, Academia Portuguesa da História, Academia das Ciências de Lisboa e Comissão Portuguesa de História Militar.

Embarque do Corpo Expedicionário Português para a Flandres - 1917 Cais de Santa Apolónia. Fotografia de Joshua Benoliel - Arquivo Municipal de Lisboa: Ref.ª PT/AMLSB/LIM/001453


Tivemos o gosto de participar nessa iniciativa com uma intervenção sobre Portugal na Conferência de Paz, que precisamente descreveu e analisou a estratégia, as posições e as negociações da delegação portuguesa nesse complexo ciclo de negociações diplomáticas, na sequencia das Atas da Delegação Portuguesa, que estudamos e publicamos em 2009 numa edição da Fundação Luso-Americana.

Ocorre que no ano passado fizemos aqui referência a um interessante estudo de Maria José Oliveira, intitulado “Prisioneiros Portugueses da Primeira Guerra Mundial – Frente Europeia – 1917-1918”, onde se historia com desenvolvimento e qualidade literária e científica a participação de Portugal na Guerra de 1914-1918 e os prisioneiros de guerra.  (ed. Saída de Emergência – 2017).

Damos novamente notícia desse estudo, pois nele se refere a realização de um espetáculo teatral pelos prisioneiros de guerra portugueses, no campo de Breesen. Trata-se de um texto dramático da autoria de Alexandre José Malheiro, denominado “O Amor na Base do CEP” (Corpo Expedicionário Português).

Tal como refere Maria José Oliveira, «a comédia estreou no campo, a 27 de outubro de 1918, e foi interpretada por 15 prisioneiros, dos quais sete representaram personagens femininas. Foi um divertimento que pretendia sobretudo reabilitar o “moral” dos expedicionários.»

Este espetáculo de prisioneiros de guerra é referido por outro oficial, Bento Esteves Roma, que escreveu um diário e mais recordações da sua participação na Guerra e do período de reclusão nos campos alemães. Designadamente “Os Portugueses nas Trincheiras da Grande Guerra” e “Algumas Passagens do Diário de Bento Roma como Prisioneiro de Guerra”, ambos citados no estudo aqui analisado.

E precisamente: na segunda das obras citadas, Bento Esteves Roma recorda a peça de Alexandre José Malheiro mas engana-se no nome do texto, chamando-lhe “A Guerra na Base do CEP” e não, como efetivamente Alexandre Malheiro a denominou, “O Amor na Base do CEP”.

Escreveu então Bento Esteves Roma:

«Foi hoje a inauguração do teatro com a peça “A Guerra na Base do CEP” escrita pelo Tenente Coronel Malheiro e que quer ser uma charge sobre a base do CEP. A ação desenrola-se em torno de uma aventura amorosa havida entre uma artista francesa que se encontra no Tréport a passar a época calmosa e um médico português.»

Mas o comentário  de Bento Esteves Roma é duro, e revela detalhes sobre a vida no campo de concentração:

«A peça não vale nada. Sem movimento, com diálogos enormes, figuras suplementares metidas à força. O desempenho foi horroroso. E gastou-se dinheiro com isto. Foi uma peça que custou 500 e tal marcos. Cada vez provamos mais o nosso pouco juízo. Adiante.”».

E tal como então referimos, este espetáculo marcou pelo ineditismo do local: o “teatro” era um estrado no campo de soldados portugueses do Corpo Expedicionário Português presos na   Alemanha em 1918.  

Duarte Ivo Cruz

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