Exposições
PARAGONE: What’s with mediums today?
Inaugurada no contexto da semana da arte em Lisboa, encontra-se patente na capital portuguesa a exposição internacional de arte contemporânea “PARAGONE: What’s with mediums today?”, em três polos expositivos.
26 Mai a 20 Ago 2023
“PARAGONE: What’s with mediums today?” oferece uma reflexão específica sobre a noção de "mediums" nas práticas artísticas atuais através da recuperação e desconstrução de um debate ancestral, gerado em torno da classificação hierárquica das disciplinas artísticas nos primórdios da era moderna, revelando de que forma as fronteiras há muito estabelecidas entre
Com curadoria de Graça Rodrigues, Sónia Ribeiro, Katherine Sirois e Ricardo Barbosa Vicente, a mostra afirma-se como terceiro capítulo de um projeto curatorial mais vasto, em curso desde 2019, que incide sobre os conceitos de materialidade e imaterialidade no campo da arte contemporânea.
Refletindo sobre a questão do “medium” no discurso da arte contemporânea, demonstra a atual tendência para a construção de uma unidade formal que se afasta da ideia de uma pureza de meios que tende para a compartimentação e que assegura a posição histórica de qualquer obra como arte, para se afirmar, seja na experimentação da prática da adição técnica, seja na recuperação de práticas remotas de produção artística.
A exposição apresenta uma renovada abordagem de representação na arte contemporânea que questiona um sistema histórico de categorização e hierarquização para a(s) arte(s), que pode hoje dizer-se obsoleto na sua filiação ao cânon, nos julgamentos de qualidade estética e nas suas ambições filosóficas de problematização das práticas artísticas.
Através dos três núcleos expositivos que a compõem - Centro Cultural Cabo Verde - Embaixada, Estação dos Barbadinhos e Reservatório da Patriarcal - “PARAGONE: What’s with mediums today?” expõe uma conjugação significativa de meios, destacando obras de artistas provenientes de uma grande variedade de origens culturais e geográficas - incluindo Algéria, África do Sul, Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Nigéria, Portugal, República Democrática do Congo, Reino Unido e São Tomé e Príncipe - cujas práticas ultrapassam fronteiras espaciais e técnicas. A exposição tem a direção artística e produção da THIS IS NOT A WHITE CUBE, a primeira galeria africana em Portugal que, mantendo uma profunda ligação com África, não se centra exclusivamente nos círculos lusófonos, mas principalmente na estética emergente das produções artísticas culturais do Sul Global.Através da parceria instituída por esta com o Museu da Água e o Centro Cultural Cabo Verde - Embaixada, a galeria luso-angolana apresenta um projeto que pretende gerar um diálogo entre países com afinidades coloniais e históricas, refletindo sobre o conceito de decolonialidade e procurando promover uma reflexão sobre a forma como a arte contemporânea se tem vindo a afirmar à escala global.
O evento ocorre logo após a realização da Conferência da Água das Nações Unidas de 2023, e igualmente pretende contribuir para uma reflexão essencial sobre as formas de melhorar e fortalecer as políticas de gestão sustentável da água, esse elemento que sempre esteve no centro da vida dos indivíduos, tanto no seu quotidiano como no seu imaginário.
PROGRAMA DE VISITAS GUIADAS EM TORNO DO PATRIMÓNIO DA ÁGUA
Espaço social, objeto de crenças e rituais, território geográfico, ferramenta técnica, a água – e estes os seus territórios - apresentam-se neste projeto como elemento condutor e catalisador para uma reflexão sobre criatividade e sustentabilidade.
A ideia é reforçada através dos espaços temáticos que acolhem o projecto expositivo e pelo convite à adesão do público a um programa de visitas guiadas (a anunciar brevemente) que promove a redescoberta, em três paragens, de um património histórico desconhecido por muitos, ligado ao abastecimento de água da cidade de Lisboa.
O roteiro inicia-se no polo expositivo do Centro Cultural Cabo Verde - Embaixada (junto ao largo do Rato), segue pelo trajeto subterrâneo da Galeria do Loreto (que integrava o sistema Aqueduto das Águas Livres), com início na Casa do Registo (contígua ao Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras), e término no Reservatório da Patriarcal (sob o Jardim do Príncipe Real) e encerra no edifício da Estação Elevatória a vapor dos Barbadinhos.
A mostra estará patente ao público nestes locais até 20 de Agosto. A entrada é livre.
HORÁRIOS:
CENTRO CULTURAL CABO VERDE - EMBAIXADA:
segunda a sexta-feira, das 10h às 17h
MUSEU DA ÁGUA - ESTAÇÃO BARBADINHOS:
terça-feira a domingo, das 10h às 12:30h, e das 13:30h às 17:30h
MUSEU DA ÁGUA - RESERVATÓRIO DA PATRIARCAL:
quinta-feira a domingo, das 12h às 19h
Outros horários: mediante marcação.
ARTISTAS INTEGRADOS:
ANTÓNIO FARIA, BENTO
OLIVEIRA, BEV BUTKOW,
CARLOS NORONHA FEIO,
CAROLINA PONTE, EXPANDED
EYE, GONÇALO MABUNDA,
JACIRA DA CONCEIÇÃO,
ONDJAKI E JORDI BURCH,
KATHARIEN DE VILLIERS,
LIZETTE CHIRRIME, LUÍS
DAMIÃO, MANUELA PIMENTEL,
MARCELINO SANTOS, MAYA
TOUAM, MÓNICA MINDELIS,
OLEANDRO PIRES GARCIA,
PATRICK BONGOY, PAULO
KAPELA, PEDRO PIRES,
REINATA SADIMBA, RENÉ
TAVARES, RICARDO PIEDADE,
SALOMÉ NASCIMENTO,
SAMUEL NORON, VANESSA
BARRAGÃO, YURAN HENRIQUE,
ROSANA RICALDE.
CURADORIA E DIREÇÃO ARTÍSTICA:
Graça Rodrigues, Sónia Ribeiro, Katherine Sirois e Ricardo Barbosa Vicente

